As empresas de reboques ameaçam avançar com uma paralisação total durante três dias em outubro se o Governo não responder às medidas reclamadas pelo setor para enfrentar o aumento dos custos com combustíveis.
O prazo termina a 8 de outubro. Sem uma resposta concreta até essa data, as empresas e respetivas frotas deverão parar nos dias 10, 11 e 12 de outubro, anunciou Rodrigo Ferreira da Silva, presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), em declarações ao Fórum TSF.
“Se até ao dia 8 de outubro não tivermos nenhuma resposta concreta destas medidas que apresentamos e que achamos que são cruciais como apoio extraordinário para o setor (…) haverá uma paralisação total destas empresas e destas frotas nos dias 10, 11 e 12 de outubro”, afirmou.
Setor aponta subida de 40% nos combustíveis
Na origem do protesto está o impacto da subida dos preços dos combustíveis nas empresas de reboques. Segundo o presidente da ARAN, os custos com combustível aumentaram 40%, enquanto o preço cobrado pelos serviços do setor subiu, em média, menos de 5% no país.
“Ninguém quer viver nem de subsídios, nem de apoios. Queremos apenas que seja considerado o momento extraordinário que estamos a viver”, explicou Rodrigo Ferreira da Silva à TSF.
A associação reclama também o pagamento de um apoio extraordinário que, segundo o responsável, foi anunciado pelo Governo em abril, mas ainda não chegou às empresas.
A ARAN defende que esse apoio seja pago com efeitos retroativos desde a última semana de fevereiro, quando começou o conflito referido pelo responsável, e que se mantenha enquanto a situação não estiver estabilizada.
ARAN quer preços dos serviços ligados à evolução dos custos
Outra das reivindicações passa pela criação de um mecanismo automático que permita refletir no preço dos serviços as oscilações dos custos.
Rodrigo Ferreira da Silva defende uma alteração ao regime jurídico do contrato de transporte que permita atualizar os preços sempre que exista uma variação superior a 5%, à semelhança do mecanismo que, segundo explicou, já existe no transporte de mercadorias.
A proposta funcionaria nos dois sentidos. Caso os custos aumentassem, o preço dos serviços acompanharia essa evolução; perante uma descida, seria igualmente revisto em baixa.
“O mecanismo, quando sobe, sobe. Quando desce, desce. É uma indexação”, explicou o presidente da ARAN.
Sem avanços por parte do Governo até 8 de outubro, a associação mantém, assim, a ameaça de uma paralisação total das empresas e frotas de reboques durante os três dias seguintes definidos para o protesto.