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Jovens confiam mais na IA do que nos humanos para verificar informação, diz estudo

Publicat: 2026-09-26 12:15:38 | Sursă: pplware.sapo.pt
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Um novo relatório britânico alerta que, em Inglaterra, o sistema de ensino corre o risco de perder legitimidade junto dos alunos, à medida que estes recorrem cada vez mais à Inteligência Artificial (IA) para tarefas que tradicionalmente confiavam a professores ou outras figuras humanas de referência.

Um inquérito conduzido pela Public First, que envolveu mais de 4000 jovens entre os 11 e os 24 anos, em Inglaterra, concluiu que quase metade dos inquiridos confia mais numa ferramenta de IA do que numa pessoa para verificar a veracidade de uma informação. Os dados mostram ainda que os rapazes apresentam uma propensão ainda maior para confiar na IA em detrimento de um ser humano nesta tarefa.

O inquérito, realizado no mês passado, foi integrado num relatório mais amplo assinado pelo historiador Sir Anthony Seldon e pelo empreendedor tecnológico Tim Bunting, que sublinha uma desconexão crescente entre a forma como os jovens já utilizam a IA no seu quotidiano e a forma como o sistema educativo continua a lidar com esta tecnologia.

O relatório alerta ainda que os alunos podem deixar de encarar a escola como “uma utilização legítima do seu tempo” caso o sistema de ensino continue a desvalorizar o papel da IA.

Segundo os autores, o sistema de ensino inglês continua a formar os alunos para um “mundo sem IA que já não existe”, apesar de cerca de 87% dos jovens inquiridos afirmarem já ter experiência no uso de ferramentas de IA.

O relatório é particularmente crítico quanto ao fosso entre a realidade vivida pelos estudantes e a resposta institucional das escolas, defendendo que essa lacuna começa a traduzir-se numa perda de valor percebido da própria instituição escolar.

Em números, menos de 10% dos jovens inquiridos consideram que as escolas e universidades os estão efetivamente a preparar para um mundo em que a IA está cada vez mais presente.

Neste cenário, os autores avisam que, enquanto as instituições de ensino continuarem a tratar a IA como um “contaminante temporário” a manter à margem, arriscam-se a ser vistas cada vez menos como uma preparação séria para a vida e o trabalho, e cada vez mais como uma espécie de “ficção protetora”, distante da realidade que pais e alunos experienciam fora da sala de aula.

Em resposta ao relatório, um porta-voz do governo britânico reconheceu tratar-se de uma tecnologia emergente e em rápida evolução, que representa simultaneamente oportunidades significativas e desafios que estão a ser levados a sério.

O executivo britânico já tinha anunciado anteriormente que ferramentas de tutoria baseadas em IA estarão disponíveis nas escolas inglesas até ao final de 2027, tendo também destinado investimento para testar e expandir produtos de IA e EdTech no setor educativo.

Paralelamente, o Department for Education criou uma AI Safety and Pedagogy Taskforce, que reúne especialistas da área educativa e tecnológica com o objetivo de desenvolver critérios que permitam avaliar a segurança e a eficácia da utilização da IA no ensino.

O mesmo porta-voz acrescentou que o currículo revisto vai:

Apesar de o relatório incidir exclusivamente sobre o sistema de ensino inglês, o problema de fundo que identifica não é exclusivo do Reino Unido. Também em Portugal se tem discutido, ainda que de forma menos sistematizada e sem um estudo de dimensão equivalente, até que ponto as escolas e as universidades estão a acompanhar o ritmo a que os alunos já utilizam ferramentas de IA no dia a dia, seja para estudar, fazer trabalhos ou, como o relatório britânico sublinha, verificar informação.

O alerta de Seldon e Bunting pode funcionar como um espelho para o debate português, ou seja, se o sistema de ensino continuar a tratar a IA como algo a manter à margem do currículo, em vez de a integrar de forma crítica e estruturada, corre-se o risco de a escola ser vista pelos alunos como cada vez mais desligada da realidade que já vivem fora da sala de aula.

A diferença é que, em Portugal, este risco ainda não foi quantificado por nenhum inquérito de grande escala, revelando o atraso com que o tema tem sido tratado a nível nacional.

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