O pontífice foi recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, na residência oficialCréditos:Getty Images
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Leão XIV já chegou ao Palácio do Eliseu, em Paris, no arranque de uma visita oficial de quatro dias a França. O pontífice foi recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, na residência oficial.
No primeiro discurso oficial em França, no Palácio do Eliseu, o Papa Leão XIV não deixou de homenagear os anfitriões e as “profundas raízes cristãs” de França.
Recuperando a obra A França Contra os Robôs (1947), de Georges Bernanos, o líder da Igreja Católica alertou para o risco de a inteligência artificial (IA) criar um “paraíso de máquinas”: “Não percamos a nossa humanidade no meio do paraíso das máquinas que estão a invadir e a condicionar o nosso quotidiano.”
Leão XIV defendeu que existe uma “necessidade urgente de treinar as mentes no discernimento ético, capacitando-as a reconhecer o que é moralmente bom”, apelando ainda a que o mundo não fique “indiferente” ao “sofrimento” da guerra. Expressou também preocupação com questões como a “manipulação genética, barrigas de aluguer, comércio de órgãos ou a oferta de morte assistida”.
Antes, o chefe de Estado francês e a mulher, Brigitte Macron, tinham já dado as boas-vindas ao Papa logo à saída do avião, enquanto tocavam por todo o país os sinos das igrejas. Durante o voo para Paris, o líder da Igreja Católica assumiu aos jornalistas o desejo de “proclamar a paz, a paz de Cristo, em todo o mundo”, segundo o jornal Le Monde — uma mensagem “particularmente importante” no momento atual.
Além da paz, a inteligência artificial, as crises migratórias e a questão dos abusos sexuais na Igreja deverão ser outros dos temas centrais da visita.
O ponto alto da viagem acontece no sábado, com uma grande missa celebrada pelo pontífice na Place de la Concorde e ao longo da Avenida dos Campos Elísios. O Presidente francês não marcará presença na celebração, ao contrário da líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e do centrista Édouard Philippe.
Ao final da tarde desta sexta-feira, o Papa percorre mais de dois quilómetros em papamóvel, por entre a multidão, até à Catedral de Notre-Dame. Será o primeiro pontífice a ver a catedral já restaurada, após o incêndio que a destruiu em 2019.
Leão XIV passará ainda pela cidade de Lourdes, um dos principais locais de peregrinação dos católicos. Aí estará reunido com sete vítimas de abusos sexuais.
Na segunda-feira, a encerrar a viagem, é esperado um discurso de Leão XIV focado na paz na Europa.
A última vez que o Papa esteve numa visita oficial a França foi em 2008, na altura Bento XVI.
(Notícia atualizada às 12h05 com as declarações do primeiro discurso de Leão XIV)
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