O telescópio espacial Roman abriu os olhos para o Universo pela primeira vezCréditos:NASA’s Goddard Space Flight Center, Tyler Desjardins (STScI)
O telescópio espacial Nancy Grace Roman, lançado pela NASA no final de agosto, já detetou os primeiros fotões de luz estelar. A ativação do seu principal instrumento, uma câmara de infravermelhos com mais de 300 milhões de pixéis, é um dos primeiros passos para começar a estudar a matéria e a energia escuras, a Via Láctea e planetas fora do Sistema Solar.
A primeira imagem ainda está longe das fotografias nítidas que o Roman deverá produzir. As estrelas aparecem desfocadas e espalhadas por milhares de pixéis, porque os sistemas óticos ainda estão a ser alinhados e focados. Mas o registo permite aos engenheiros confirmar que o instrumento está a funcionar como previsto.
O Wide Field Instrument (WFI), a principal câmara científica do Roman, foi ativado a 11 de setembro. Tem mais de 300 milhões de pixéis e 18 detetores de infravermelhos, que permitem observar grandes áreas do céu com elevada sensibilidade.
Antes de poder ser ligado, o instrumento teve de permanecer durante cerca de dez dias a uma temperatura de cerca de -65 graus Celsius. Este período permitiu eliminar humidade e outros contaminantes que poderiam prejudicar os componentes sensíveis do instrumento. Depois, os aquecedores foram desligados e o WFI arrefeceu até cerca de -143 graus Celsius. Só então os 18 detetores de infravermelhos puderam ser ativados. O instrumento continuou depois a arrefecer até atingir a temperatura de funcionamento, de cerca de -183 graus Celsius.
Nos dias seguintes, os engenheiros testaram vários dos sistemas do WFI, incluindo o sistema de calibração, o mecanismo que seleciona diferentes comprimentos de onda da luz e o sistema de focagem. Os testes confirmaram que os componentes estão a funcionar como previsto.
Quando estiver totalmente operacional, o WFI poderá captar imagens extremamente detalhadas de regiões do céu maiores do que a área que a Lua cheia ocupa aparentemente no céu.
Ao longo dos cinco anos previstos para a missão, o Roman deverá observar uma área do céu mais de 50 vezes superior à estudada pelo Telescópio Espacial Hubble durante os seus primeiros 30 anos de operações. A NASA estima que o Roman consiga observar grandes áreas do Universo cerca de mil vezes mais depressa do que o Hubble.
Esta capacidade permitirá aos astrónomos estudar a distribuição da matéria no Universo e procurar pistas sobre a matéria escura e a energia escura. O telescópio também fará um levantamento de grandes regiões da Via Láctea e ajudará a descobrir e caracterizar planetas que orbitam outras estrelas, os exoplanetas. A NASA estima que o telescópio possa identificar cerca de 100 mil exoplanetas
Além do WFI, os engenheiros começaram a testar o Coronagraph Instrument, o segundo instrumento científico do Roman.
O coronógrafo foi concebido para bloquear grande parte da luz de uma estrela e permitir observar objetos muito mais ténues que estejam à sua volta, incluindo alguns exoplanetas. Para isso, utiliza uma combinação de espelhos, sensores e outros componentes óticos.
Os primeiros testes incluíram a verificação dos sistemas eletrónicos e mecânicos e das comunicações com o instrumento. A NASA indica que estes testes também decorreram como esperado.
O Roman está ainda na fase de preparação e calibração. Depois do lançamento, a 30 de agosto, iniciou uma fase de verificações que deverá durar cerca de três meses. O telescópio está a caminho da região do ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros da Terra, onde ficará numa órbita em torno do Sol.
As primeiras imagens científicas deverão ser divulgadas no início de 2027. As observações científicas da primeira fase da missão estão previstas para começar em janeiro de 2027
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