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Dois bombeiros morreram e 324 ficaram feridos este ano: há operacionais a combater 18 horas sem descanso

Publicat: 2026-09-26 12:44:40 | Sursă: executivedigest.sapo.pt
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O ano de 2026 já provocou duas mortes e pelo menos 324 feridos entre os bombeiros portugueses durante operações de socorro. A mais recente vítima mortal é Maria João Carneiro, bombeira voluntária de Resende, atingida pela queda de uma árvore quando combatia um incêndio em Barrô.

Segundo o Jornal de Notícias, a bombeira junta-se a outro operacional que morreu no início do ano, em Campo Maior. Considerando os últimos dois anos, morreram outros sete bombeiros e, de acordo com as contas da Liga dos Bombeiros Portugueses, a morte registada esta sexta-feira eleva para 258 o número de vítimas mortais nos últimos 46 anos.

Os feridos também se contam às centenas. Dados do Fundo de Proteção Social do Bombeiro indicam que pelo menos 324 operacionais ficaram feridos desde o início deste ano.

Ainda na quinta-feira à noite, quatro bombeiros de Portimão sofreram ferimentos ligeiros durante o combate a um incêndio florestal que começou em Odemira e chegou a Silves. A viatura em que seguiam despistou-se em Benafatima, no concelho de Silves, e acabou consumida pelas chamas. Um militar da GNR também ficou ferido durante as operações.

Bombeiros chegam a combater durante 18 horas

O desgaste acumulado durante os incêndios é apontado como um dos fatores que aumentam os riscos enfrentados pelos operacionais.

Jorge Mendes, comandante, colaborador da Liga dos Bombeiros Portugueses e responsável pelo Centro de Acompanhamento e Apoio à Situação Operacional, explica ao Jornal de Notícias que muitos dos acidentes acontecem durante o combate aos incêndios. Há casos relacionados com exaustão e outros que resultam em lesões mais graves.

O responsável chama a atenção para bombeiros que passam sucessivamente de um incêndio para outro para garantir uma resposta rápida às ocorrências. Em Silves, teve conhecimento de operacionais que já tinham passado por três incêndios antes de serem enviados para aquele combate.

Há também casos de bombeiros que regressam ao combate depois de receberem alta hospitalar, motivados pela necessidade de ajudar as populações das localidades onde vivem.

Esta acumulação de horas aumenta o desgaste físico e, consequentemente, o risco de acidente. Jorge Mendes lembra que estudos internacionais apontam para que um bombeiro não permaneça mais de duas horas consecutivas a combater um incêndio, enquanto em Portugal existem operacionais que chegam às 18 horas seguidas sem descanso.

Os números do ano passado já mostravam a dimensão do risco. Segundo o Jornal de Notícias, foram comunicados à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil 370 acidentes pessoais envolvendo bombeiros em 2025, mais 9,5% do que os 338 registados em 2024.

A maior concentração ocorreu durante o verão. Agosto representou 25,7% dos acidentes e julho 15,9%, seguindo-se junho, com 9,7%, e setembro, com 8,1%. Em 95,1% dos casos, os ferimentos foram considerados ligeiros.

Entre 2017 e 2025, 27 operacionais foram vítimas de fogos rurais. No mesmo período foram registadas ainda 156 vítimas civis, número marcado pela tragédia de Pedrógão Grande, em 2017.

O mais recente relatório de Atividades do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais considera que estes números demonstram a elevada perigosidade das operações e defende um reforço permanente das medidas de segurança, incluindo formação, avaliação do risco e apoio às decisões tomadas no terreno.

Condições de descanso também preocupam

Jorge Mendes reconhece que a estratégia de combate tem vindo a adaptar-se a incêndios cada vez mais violentos devido às alterações climáticas, mas considera necessário continuar a melhorar o posicionamento dos meios e as condições oferecidas aos bombeiros.

Na sua perspetiva, o Governo deve avaliar mecanismos que permitam assegurar que os operacionais chegam às frentes de incêndio em condições físicas e psicológicas adequadas.

As deslocações dos reforços são um dos problemas identificados. Alguns bombeiros percorrem grandes distâncias dentro de veículos pesados e chegam ao local já fisicamente desgastados. Jorge Mendes estabelece uma comparação com a Unidade de Emergência Militar espanhola, que utiliza autocarros para proporcionar melhores condições de descanso durante as viagens.

Acidentes marcaram vários combates este ano

Além da morte da bombeira de Resende, 2026 ficou já marcado por vários acidentes envolvendo operacionais.

Em fevereiro, um bombeiro voluntário, que era também militar da GNR, morreu em Campo Maior quando entrou na água numa zona de confluência do rio Caia para tentar ajudar famílias que se encontravam isoladas devido ao mau tempo.

Em agosto, quatro bombeiros ficaram feridos depois de a viatura em que seguiam para um incêndio se ter despistado e capotado na A32, junto ao nó de Arouca.

Já na semana passada, outros quatro operacionais sofreram ferimentos num acidente rodoviário em Coruche quando se deslocavam para prestar auxílio num incêndio.

Os números acumulados ao longo de 2026 voltam, assim, a colocar em evidência os riscos enfrentados pelos bombeiros, numa altura em que o cansaço provocado por sucessivos combates e pelas longas jornadas é apontado como uma das preocupações para a segurança dos operacionais.

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